domingo, 13 de abril de 2014

Melancolia

Tem dias que o dia parece acontecer sem a gente.
A passividade da melancolia, este altruísmo inglório, assassina propósitos, mas inspira com uma intensidade motivacional. Pessoas como eu que escrevem sobre coisas, desabam em linhas enquanto o coração busca alternativas para não sucumbir a esta depressão singela da alma.
Nada clínico, a melancolia é estágio esperado do fardo que é ou foi amar; no meu caso foi. Mas não escreveria sobre meus encontros e desencontros no amor, escrever sobre isso não é limpo, amar não o é, eu só escrevo sobre o que vale a pena escrever, e se pelo fardo de amar algo me acende a alma, este algo é a melancolia.
Dizem que o tempo cura, mas o tempo não cura, o tempo afoga, transforma coração em pedra e trinca a porcelana do nosso caráter.
Quebrar-se em mil pedaços é o que cura, porque amar é desculpa para machucar e se machucar.
O processo todo nos transforma em fantasmas que percorrem dias, somos como filmes em preto-e-branco, mas sem a intenção de se-los, queremos ardentemente voltar a ser projeção colorida em tela com sala cheia, mas nos tornamos filmes medianos exibidos para ninguém, um doloroso fracasso de público.
Ninguém aplaude a melancolia.

Ouvindo: Suede "The 2 of us"


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Entrevista - Tribuna de Vinhedo

Finalmente foi liberada a entrevista que dei para a Tribuna de Vinhedo sobre meu livro "A Grande Ópera".
Ela se encontra na íntegra no site da minha editora wolfbook.
Meu muito obrigado ao Thiago Alencar e o pessoal da editora pela gentileza com que me conduzem.
A quem possa interessar:

Entrevista - Tribuna de Vinhedo

sábado, 11 de janeiro de 2014

A Grande Ópera

É com muita alegria que anuncio que foi disponibilizado no site da editora Wolf Book uma prévia em e-book do meu livro "A Grande Ópera", mas precisamente o preâmbulo.
Aos amigos interessados em conhecer um trecho do meu primeiro livro, podem baixar gratuitamente o arquivo em PDF, clicando sobre o ícone comprar e se cadastrando no site. Para estes foi oferecido 50% de desconto quando o projeto finalmente estiver pronto para comercialização.
E também ganhei uma coluna no site para publicar meus rabiscos, algo como uma extensão deste meu blog terceiros fragmentos.
Muito legal esse momento que estou vivendo, e mais legal ainda é ter com quem compartilhar.

http://www.wolfbook.com.br/loja/

domingo, 8 de dezembro de 2013

O grito...

Tudo esta gritando tão alto e eu temo tanto pelo meu fim.
As pessoas choram suas derrotas e suas angustias, mas também choram seus sonhos e suas conquistas sempre e na mesma intensidade.
O que há para se fazer que não chorar?
Seguimos por um caminho trágico, nos amputando sempre, frágeis e inconsequentes, enquanto esperamos por um fim que nos redima.
Mas ele nunca vem.
Nos ensinam que ideais são para os fracos, e eu, tão fraco, me canso sempre muito rapidamente de interpretar um papel ditado pela sociedade e me recuso a fazer parte de um mundo fechado em si cheio de pompas capitalistas e de péssimo gosto.
"Meus heróis morreram de overdose, meus inimigos estão no poder" e nada muda isso, tampouco nossa boa vontade... Arrisco dizer que sobretudo ela.
Sou uma aberração, um caminho produzido em grama verde que leva para um casarão rústico e de beleza revigorante, mas sem uma mobília sequer, cheio de tristeza e solidão.
Sou como pés descalços a um dia inteiro na areia, sujos, queimados, mas ainda sim cheios de uma estranha vontade de viver.
Este contorno produz arte, e se você acredita em propósitos, ficará muito incomodado em perceber a vida se impondo sobre você, te calando na forma de pessoas que você não sabe se ama ou odeia.
Por isso grito.
E enquanto tiver voz, eu me farei ouvir, mesmo que para poucos, com muitos me achando um idiota prepotente, ou um ignorante perspicaz.

Ouvindo: The National - Slipping Husband

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A queda da criança

"Ela se atirou tão loucamente pelas nuvens que a faziam fria, porém estranhamente desperta de todo o mau que ousava nascer de dentro de seu cântico inocente, que nem por um momento pensou no fato de que não sabia voar.
Mas ela não caia sozinha, a seu lado todos a quem ela ajudou a mutilar os sentidos caíam com ela e por ela, dezenas e centenas de vezes mais rápidos, unicamente porque nasceram afim de representá-la na imensidão vazia de uma última queda.
Ela soube enlouquecer a todos com sua voz rouca e seu olhar cristalino, soube cantar a desgraça de cada um dos presentes no teatro mágico, os quais não esperaram pelo fim de suas vidas e quiseram antecipar a viagem final.
A queda parecia ser a liberdade em sua forma mais plena e isso a anestesiou do desespero do porvir.
Enquanto se esquecia de sua frágil vida, imaginou por instantes como seria seu fim ideal; se se apagaria no instante do impacto profundo de seu corpo contra o solo, ou se cairia para sempre, uma queda pela outra, um infinito de gravidade para nada.
Pelo que se soube, todos a quem ela enlouqueceu foram eficientes em caírem primeiro, se chocando rápidos e seguros, compondo arte em se desfazerem como energias puras que eram.
Foram tantos suicídios plenos, tantos encontros de matérias, que o solo logo se encheu de mortos, e uma cama de paz e serenidade banhada em sangue se fez lírica e plena esperando o pouso forçado da criança que não conseguia morrer.
Ao emergir da cama de maldição, loucura e sobretudo odor pútrido, ela sorriu vermelha, e não teve uma criatura da noite que não comemorou a alegria de salvar-lhe a vida... de morrer por ela uma vez mais."

(Trecho de "Por Toda a Eternidade")

ouvindo: Ludovico Einaudi - Nuvole Bianche

domingo, 1 de dezembro de 2013

Brainstorm de um domingo a noite...

Do casulo ao externo, tudo segue uma trajetória atípica e retilínea.
É atípico porque ser sempre a exceção de uma maldita regra é cansativo...
É belo, porém inquietante. Gosto de pensar em transcendental.
Sempre fui destes que  buscam as essências das coisas. E sim, é maldição e benção enxergá-las, sempre e em todos os momentos.
Há quem repara sua busca pelo centro em pequenos fragmentos cotidianos essencialmente perfeitos.
Sou destes.
O entendimento sobre aquilo que eu deveria buscar começou aos 16 anos na beleza lírica de um amor.
As vezes enxergo os dilemas e a poesia dos meus dezesseis anos em outros adolescentes de dezesseis anos e me sinto tanto em seus olhares e atenções que é quase como se sentisse por eles.
São sentimentos tortos, canções e cartas de amor...
Gostava de chegar em casa nas quartas-feiras a noite e fumar com a janela do quarto aberta, sozinho, fitando a lua e sua imensidão perfeita, no rádio Chico ou Caetano, relembrando, escrevendo e dirigindo as cenas com as quais minha rotina estava sendo composta.
Fazia planos e estudava os takes. O cinema e a literatura sempre me foram úteis.
As soundtracks mais do que darem o tom, se debruçavam sobre meus conteúdos e narravam o antes e o depois em tons documentais tão apaixonadamente contemplativos, que me lembro de perder horas tentando prever o que aconteceria comigo, como se eu já estivesse escrito.
As vezes acho que todos estamos.
Aquestão fundamental do centro e da busca pelo mesmo, se dá na origem de nossas emoções.
Se estamos bem, estamos no centro. Se estamos mal, olhamos com calma e entendemos se estamos a direita ou a esquerda do que somos e pelo que sentimos.
Sobretudo para quem somos.

escutando: No Clear Mind - Alone and Together

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Trens...

(pensamento redigido em meu celular em uma de minhas tantas viagens cotidianas nestes transportes públicos da vida)

Eu juro que se eu pudesse eu tirava fotos das pessoas do trem. Eu encontro gente de todos os tipos e é sempre tão fascinante!
Tem os "leitores-assíduos", seres que se compenetram tão facilmente em suas leituras que não percebem caras e bocas. Eu sei direitinho quando a passagem do livro de um destes é medonha, quando é engraçada ou quando é trágica. Tem uma aqui na minha frente que meio que se abraçou, e outro dia posso jurar que uma ficou um minuto e meio em silêncio e saiu de luto na baldeação de Francisco Morato.
Vale ressaltar que uma vertente comum deste grupo, são os "ouvintes-assíduos" ou os "escutadores de música", eles são tão complexos, que prometo, qualquer dia desses, um post só sobre eles.
Voltando aos básicos, temos também os "encaradores de olhares", pessoas que te olham olhar para outras pessoas. O difícil é que eu nunca consigo saber se é fascínio ou se é libido o que esse povo tanto olha e procura. Eu me considero um "encarador de olhar" discreto do tipo não libidinoso, mas nem todos são, tem gente que a graça está em te deixar sem jeito, te encarando desconfortavelmente.
E tem também as "estátuas vivas", sempre divertidíssimas! Pessoas que não mudam suas expressões durante toda a viagem, e se o fazem soa repentino, todo mundo assusta.
É o máximo do máximo do máximo se apaixonar no trem...
Eu dificilmente puxo conversa com alguém, porque se o fizesse ia querer facebook e tudo o mais e eu não quero correr o risco de ser mal interpretado.

Ouvindo Electric Wave Bureau - Colours